15 lugares para conhecer a cultura afro em São Paulo Agenda Cultural / É Grátis / História e Arte

A presença do negro e suas influências na cultura, na música, na culinária, enfim, em todos os aspectos, são marcantes na sociedade brasileira.  Pensando nisso, blog Passeios Baratos em São Paulo decidiu listar alguns lugares bacanas em que você pode conhecer mais sobre a cultura afro, passear e gastar pouco. Confira!

Igreja Nossa Senhora da Achiropita Foto: Wikicommons

Igreja Nossa Senhora da Achiropita Foto: Wikicommons

Igreja Nossa Senhora da Achiropita

Quem pensa que a região da Bela Vista é só tradição italiana, engana-se. O bairro ficou famoso pelos imigrantes italianos que chegaram ao país nos séculos 19 e 20, mas os negros também fizeram sua história pela região. Com o apoio da comunidade negra moradora do bairro, padre Toninho criou a Pastoral Afro, que busca recuperar as raízes do povo afro-brasileiro, resgatando sua autoestima e dando maior valor à cultura negra. A pastoral realiza diversas atividades como batizados, casamentos, missas e celebrações afros, Festa da Mãe Negra, Semana da Consciência Negra/Missa de Zumbi, além do tradicional Jantar Afro. Rua 13 de Maio, 430 – Bela Vista. Aberto diariamente, mas é bom confirmar o horário de funcionamento pelo telefone. (11) 3106-7235.

Casa Mestre Ananias Foto: Divulgação

Casa Mestre Ananias
Foto: Divulgação

Casa Mestre Ananias

Quem acha que não tem capoeira em São Paulo precisa conhecer a Casa Mestre Ananias. O espaço foi fundado pelo baiano Ananias Ferreira, um dos precursores da capoeira na cidade de São Paulo. É um lugar de convivência e difusão das tradições populares afro-brasileiras por meio da capoeira tradicional e seus ensinamentos e também do samba de roda. Toda terça-feira tem Roda de Capoeira com características diferentes e formada pelas mais diversas origens. No próximo dia 4 de dezembro, sábado, vai ter uma festa especial em homenagem ao mestre Ananias que morreu em julho desse ano. Rua Conselheiro Ramalho, 945, Bela Vista. Confirmar programação e visitação no site (www.mestreananias.blogspot.com) ou pelo telefone (11- 3926-0676). 

Mestre Suassuna e grupo Cordão de Ouro Foto: Divulgação

Mestre Suassuna e grupo Cordão de Ouro
Foto: Divulgação

Grupo Cordão de Ouro

Outro grupo de capoeira que merece destaque em São Paulo. Com inúmeras filiais no Brasil e no exterior, o grupo Cordão de Ouro tem papel importante entre todos os grupos de capoeira, não só pelo que representa o Mestre Suassuna para o esporte e para a cultura, mas também pelo esforço empreendido por ele e por seus adeptos para manter vivas as raízes da capoeira. Rua Jesuíno Pascoal, 44 (11) 3223- 5357 (próximo à estação Santa Cecília do Metrô)  grupocordaodeouro.com.br

Igreja Nossa Senhora da Boa Morte Foto: Divulgação

Igreja Nossa Senhora da Boa Morte
Foto: Divulgação

Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte

Construída há mais de 200 anos pela Irmandade dos Homens Pardos de Nossa Senhora da Boa Morte, a igreja é um marco porque foi nela que, pela primeira vez, negros e brancos sentaram-se lado a lado em uma igreja de São Paulo. Esse nome se deve ao hábito de escravos condenados à morte no Largo da Forca (hoje conhecido como Largo da Liberdade) de entrarem na igreja para pedir uma boa morte à Nossa Senhora. Rua Tabatinguera, 301  (11) 3101-6889. 

Igreja Nossa Senhora Rosário dos Pretos Foto: Divulgação

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos
Foto: Divulgação

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

 Em 1906, a igreja foi consagrada no Largo do Paissandu e, até hoje, os trabalhos são conduzidos pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, que há mais de 300 anos luta pela preservação e resgate da cultura negra e seus direitos. Em 1995, foi instalada ao lado da igreja a estátua da Mãe Preta, uma referência às Amas de Leite. A cada dois meses é realizada uma missa afro na qual são feitas oferendas com milho, batata doce, feijão, pipoca etc., e os cânticos entoados ao som dos atabaques. Largo do Paissandu, s/n (próximo às estações Anhangabaú e República do Metrô (11) 3223-3611 / 3331-1983. 2a a 6a, das 7h às 19h; Sábados e Domingos, das 7h às 12h. 

Igreja dos Enforcados Foto: Arquidiocese de São Paulo

Igreja dos Enforcados
Foto: Arquidiocese de São Paulo

Igreja de Santa Cruz das Almas dos Enforcados

A Igreja de Santa Cruz das Almas dos Enforcados foi construída em frente ao Largo da Forca, hoje conhecido como Largo da Liberdade. O local foi escolhido por estar no alto de um morro, o que possibilitava a visão da forca ao longe pela população. O enforcado mais conhecido do local foi o cabo Francisco José das Chagas, o Chaguinhas. No interior da igreja, é possível observar um desenho da antiga catedral da Sé, cuja torre foi erguida pelo escravo Tebas. Praça da Liberdade, 238 (próxima à estação Liberdade do Metrô (11) 3208-7591. 

Faculdade de Direito da USP no Largo São Francisco Foto: Marcelo Munhoz

Faculdade de Direito da USP no Largo São Francisco Foto: Marcelo Munhoz

Largo São Francisco Faculdade de Direito

Entre os ex-alunos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco estão figuras ilustres da biografia do Brasil. Entre elas, Rui Barbosa, Castro Alves, Joaquim Nabuco e José Bonifácio, homens que participaram de forma ativa da construção de um dos capítulos mais importantes da nossa história: o fim da escravidão. Luiz Gama, à época, foi impedido de estudar no local por ser negro, mas isso não o impediu de se tornar um dos juristas mais respeitados e temidos pelos escravocratas no século XIX na província de São Paulo. No ano de 2007, a Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP e a Faculdade de Direito homenagearam Luiz Gama, colocando seu retrato na Sala São Leopoldo em reconhecimento à sua contribuição ao povo brasileiro. E esse ano, em 2016, a OAB-SP, reconheceu Largo de São Francisco, 95 (próximo à estação Sé do Metrô (11) 3111-4000. 2a a 6a feira, das 9h às 17h. Entrada gratuita / direito.usp.br 

O espaço Navio Negreiro impressiona Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

O espaço Navio Negreiro impressiona
Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

Museu Afro Brasil

Inaugurado em 2004, tem a missão de promover o reconhecimento, a valorização e a preservação do patrimônio cultural africano e afro-brasileiro, bem como a sua presença na cultura e na sociedade nacional, tendo como eixos a arte, a história e a memória. O acervo abarca diversas facetas desse universo cultural, abordando temas como a religião, o trabalho, a arte, a diáspora africana e a escravidão, registrando também a trajetória histórica e as influências africanas na construção da sociedade brasileira.  Leia o post completo sobre o museu aqui. Pedro Álvares Cabral, s/n (portão 10) – Parque Ibirapuera +55 (11) 5579-0593. De 3ª a domingo, das 10h às 17h. www.museuafrobrasil.org.br

axe ile oba

Axe ilê Obá Foto: Divulgação

Axé Ilê Obá 

 Tombado como patrimônio cultural pelo CONDEPHAAT, o terreiro Axé Ilê Obá (expressão que na língua iorubá significa Casa da Força do Rei) foi fundado em meados da década de 70. Com uma história de luta pela preservação e divulgação dos aspectos históricos e ritualísticos das raízes africanas, o terreiro se tornou um dos maiores templos de candomblé da América Latina. É comandado pela Íyalorixá Paula de Oyá.. No dia 10 de dezembro acontece a Festa Das Iyabas, a comemoração e o reconhecimento das seis principais Orixás femininas que são responsáveis pelo equilíbrio da terra e da vida. Rua Azor Silva, 77 – Jabaquara (11) 5588-2437 / 5588-0017 De 2ª a 5ª, das 9h às 13h e das 14h ás 18h. Sábados das 9h às 12h (necessário agendamento). axeileoba.com.br 

Samba da Vela

Samba da Vela Foto: Caio Paganotti/wikimedia

Samba da Vela

Nascida da necessidade de resgate do autêntico samba de terreiro, a Comunidade Samba da Vela especializou-se em formar e revelar novos autores. As apresentações são feitas tendo como ritual o acendimento de uma vela colocada no centro da roda. Enquanto ela queimar, o samba flui vigoroso. Ao final do ritual dançante, depois que a vela se apaga, é servida uma sopa ao público presente. Toda segunda é de lei: samba da vela. Vai lá conferir. Praça Dr. Francisco Lopes Ferreira, 434 – Santo Amaro Toda 2a, a partir das 20h. (11) 5522-8897. comunidadesambadavela.com

IluObadeMin

Ilu Obá di Min Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Bloco afro Ilu Obá de Min

O Ilú Obá De Min é um bloco afro formado somente por mulheres que tem como base o trabalho com as culturas de matriz africana e afro-brasileira e a mulher. Surgiu após vinte anos de pesquisa-ação desenvolvidas com variados grupos sociais.  O objetivo da associação é preservar e divulgar a cultura negra no Brasil, mantendo diálogo cultural constante com o continente africano através dos instrumentos, dos cânticos, dos toques, da corporeidade, além de abrir espaço para ideias que visem o fortalecimento individual e coletivo das mulheres na sociedade. O bloco se apresenta em vários eventos. Para o carnaval de 2017, o tema já foi definido: ” Alaafin de Oyó 12 anos de Ilú Obá De Min”. Fique de olho no site que em breve deve ser divulgada a programação dos ensaios. http://iluobademin.com.br/site/ ou no facebook https://www.facebook.com/iluobademin/

Associação Cultural Cachuera Foto: Divulgação

Associação Cultural Cachuera
Foto: Divulgação

Associação Cultural Cachuera

Se você quer conhecer mais das religiões de matriz africana ou ver vídeos de Tambor de Crioula, Batuque de Umbigada, Congadas ou Jongo, a Associação Cultural Cachuera é o lugar. A entidade tem o objetivo de valorizar a cultura popular tradicional brasileira e trabalha com comunidades produtoras de arte, buscando registrar, pesquisar e divulgar as variadas formas de expressão artística. As visitas devem ser agendadas com 24 horas de antecedência.  Mas fique atento: a entidade está passando por uma reestruturação e é bom entrar em contato para confirmar os dias de funcionamento. Rua Monte Alegre, 1094, Perdizes (11) 3872-8113 / 3875-5563 Das 10h às 18h (necessário agendamento). cachuera.org.br 

Centro Cultural Africano Foto: Divulgação

Centro Cultural Africano
Foto: Divulgação

Centro Cultural Africano

Fundado em 1999, o Centro Cultural Africano (CCA) tem como objetivo manter vivas as tradições culturais africanas e afrodescendentes, ajudando no desenvolvimento do patrimônio material, imaterial e oral, além de fortalecer a autoestima, solidariedade, a ética e o talento. Provisoriamente instalado em uma casa até a abertura de sua nova sede (no bairro da Barra Funda), o CCA abre um espaço de conhecimento e integração entre cultura africana e afrodescendente e a comunidade local, escolas, pesquisadores e visitantes. A entidade promove o Prêmio África Brasil para premiar personalidades, empresas e governos que se destacam com projetos e ações sociais e que contribuem na inclusão sociocultural e ambiental sustentável dos afrodescendentes e em novembro teve o II PRÊMIO ÀSÉ – ISESE 2016(a força da ancestralidade)”, um prêmio contra a intolerância religiosa. Rua Gaspar Ricardo Junior, 112 – Barra Funda (11) 3392-7228. 2ª a 6ª, das 9h às 17h. Sábados das 9h às 16h. centroculturalafricano.org 

Pai Toninho Foto: Fickr

Egbomi Dagmar no Centro Cultural do Candomblé
Foto: Fickr

Centro Cultural do Candomblé

Se você tem curiosidade em entender melhor a doutrina e os rituais do candomblé, o Centro Cultural do Candomblé é o lugar ideal para esclarecer dúvidas e eliminar preconceitos. Lá você pode mergulhar na história do segmento religioso e entender como ele funciona. Pai Toninho de Xangô tem uma atuação ativa na luta pela inclusão e pela valorização da cultura negra em sua comunidade. Mensalmente ocorrem festas abertas ao público. Rua do Bosque, 246 – Barra Funda (11) 3392-5572. 2ª a 6ª, das 13h às 19h. Sábado, somente com agendamento. paitoninhodexango.com.br       

Escolas de samba

Sim, ele não podia faltar. O samba. Em São Paulo, assim como em outras partes do país, o samba remonta às tradições de manifestações culturais do início do século 20. A população negra – em sua maioria –  instalada na periferia de uma São Paulo em desenvolvimento, se reunia para festejar durante horas ao som de batuques, cantorias e danças. Nascia ali a tradição dos cordões carnavalescos, um dos poucos espaços admissíveis para a identidade da cultura negra, que mais tarde deram origem às escolas de samba. São Paulo tem hoje 14 escolas de samba, só no grupo especial, além de diversas outras escolas e blocos espalhados por toda a cidade.  Entre essas escolas de samba, todas têm alguma relação com a cultura negra. Conheça algumas das tradicionais escolas da cidade.

Unidos do Peruche Foto: Divulgação

Unidos do Peruche
Foto: Divulgação

Unidos do Peruche

A escola tem vários enredos africanos. Fundada nos anos 50 está entre as mais antigas escolas de samba da cidade.  Para o carnaval 2017, a escola vai homenagear Salvador. Avenida Ordem e Progresso, 1061 Casa Verde/(11) 3951-4099  www.unidosdoperuche.org.br

Nenê da Vila Matilde Foto: wikimedia

Nenê da Vila Matilde
Foto: wikimedia

Nenê de Vila Matilde

A Nenê de Vila Matilde foi fundada por Alberto Alves da Silva, o Seu Nenê, em 1949. Foi a primeira escola a ter uma quadra coberta na cidade, primeira campeã oficial do Carnaval (1968) e única escola paulistana a desfilar no sambódromo do Rio de Janeiro. Rua Julio Rinaldi, 01, Vila Salete, (11) 2013-9757 www.nenedevilamatilde.com 

 

Vai Vai Foto:

Vai Vai
Foto: Divulgação

Vai-Vai

A escola tem uma ligação estreita com a cultura afro antes mesmo de nascer: quem visita a quadra da agremiação, no Bixiga, talvez não saiba que os batuques, as danças, as rodas de capoeira e a presença da comunidade negra alegram esta região há quase 300 anos com a chegada dos primeiros negros fugidos das fazendas, formando o Quilombo da Saracura. Os ensaios da escola lotam as ruas do bairro. Rua São Vicente, 276 – Bela Vista (11)  3266-2581 www.vaivai.com.br 

Carnaval São Paulo 2010. A escola de samba do grupo de acesso Camisa Verde e Branco desfilou hoje, no sambódromo do Anhembi em São Paulo, SP. Fotógrafo: Léo Pinheiro

Carnaval São Paulo 2010. A escola de samba do grupo de acesso Camisa Verde e Branco desfilou hoje, no sambódromo do Anhembi em São Paulo, SP.
Fotógrafo: Léo Pinheiro

Camisa Verde e Branco

Também com uma história tradicional no samba de São Paulo, a Camisa Verde e Branco remonta ao ano de 1914, quando foi criado o Grupo Carnavalesco Barra Funda, liderado por Dionísio Barbosa. Nele, os homens saiam pelas ruas do bairro da Barra Funda vestidos de camisas verdes e calças brancas. Depois de 17 anos parado, o grupo voltou à atividade, e em 1972 se transforma em escola de samba. Rua James Holland, 663 – Barra Funda (11) 3392-4982 / 3612-0266 www.camisaverde.net

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Jornalista freelancer, com pós-graduação em comunicação organizacional, paulistana, ansiosa, gosta de tecnologia, de ler, de viajar,adora programas culturais, frequenta o Sesc etc. etc.

Comments

  1. Gislaine Vicente Says: dezembro 2, 2016 at 2:43 pm

    Duas correções: Mãe Sílvia de Oxalá é falecida e quem comanda agora o terreiro Axé Ilê Obá, no Jabaquara, é a Iyalorixá Paula de Oyá.

    Já na foto sobre o Centro Cultural do Candomblé quem segura o Amalá de Xangô é o Egbomi Dagmar, e não o Pai Toninho, que comanda o local.

    Mas vale lembrar que as dicas são ótimas.

  2. Kelly Oliveira Says: dezembro 7, 2016 at 7:16 am

    Olá! Gostaria de parabenizar as dicas! Muito boas e bem escritas. Minha observação é que, entre as escolas de samba, acho importante colocar o Camisa verde e Branco, que é oriunda do primeiro cordão carnavalesco da cidade, o grupo barra funda, fundado em 1914, no largo da banana.
    Os principais redutos negros da cidade, no final do XIX e começo do XX, foram os bairros da Barra Funda, Bela Vista/Bexiga e Liberdade/Glicerio, por isso acho importante colocar a escola de samba da Barra Funda.

    • Patrícia Ribeiro Says: dezembro 7, 2016 at 8:48 am

      Tem razão, Kelly. Vou pedir para a nossa colaboradora acrescentar. Obrigada pelo comentário. Continue acompanhando e compartilhando nossos posts.

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