Ilhabela: maravilhosa em todos os meses do ano bate e volta / Viagens por aí

Ilhabela é, de certa forma, um resumo do litoral norte de São Paulo. De praias urbanizadas e facilmente acessíveis a outras aonde se chega somente de barco ou por trilhas; de hotéis mais requintados a pousadas e hostels; do centro movimentado e mais turístico a vilas de caiçaras e pescadores. Tudo em um arquipélago – Ilhabela é um dos raros municípios-arquipélagos do Brasil – que soma, aproximadamente, 348 km² a apenas meia hora de balsa a partir de São Sebastião e a 230 km de São Paulo.

Barcos atracados em Ilhabela Foto: Divulgação

Barcos atracados em Ilhabela
Foto: Flavio FMoreira

A travessia é a mais descomplicada possível; ou pelo menos foi para mim, que estava a pé e de mochila. Após descer do ônibus na altura de onde parte a balsa (o ônibus vindo de São Paulo com destino a São Sebastião faz duas paradas finais: a primeira na rodoviária da cidade e a segunda próxima à saída da balsa para Ilhabela), segui para a área do embarque, onde é só chegar e esperar pela próxima travessia, gratuita para pedestres e ciclistas. O espaço na balsa é dividido entre os veículos e os passageiros, que dispõem de bancos para viajarem sentados – se houver lugares vagos – mas também podem seguir em pé desfrutando as paisagens, como eu preferi fazer.

Centro histórico - Praça Prof. Alfredo Oliani Foto: Divulgação

Centro histórico – Praça Prof. Alfredo Oliani
Foto: Flavio FMoreira

Como é

Chegando na ilha, aprendi que lá existem dois “centros urbanos”: o da região por onde chegam e partem as balsas, maior e com perfil local, sobretudo, e o centro histórico de fato – também conhecido como “a vila” – mais ao norte e voltado ao turismo, onde o movimento é animado ao redor da pequena Rua do Meio, um calçadão com lojas e bares; mas a região da praça Prof. Alfredo Oliani, endereço da Igreja Nossa Senhora d’Ajuda e Bom Sucesso e da antiga Cadeia e Fórum, também vale a visita. Ambos centros estão na costa voltada para o continente, a mais urbanizada de Ilhabela, onde também se encontram as praias de mais fácil acesso e com maior infraestrutura, ao longo da SP-131, estrada/avenida que vai mudando de nome ao longo do seu percurso.

Praia de Itaguaçu Foto Flavio F Moreira

Praia de Itaguaçu
Foto: Flavio FMoreira

Praias para todos os estilos

Os maiores hotéis, bares, restaurantes e o comércio em geral ficam por ali, onde também se localizam, dentre outras, a praia do Curral, “a mais badalada”, com uma das melhores estruturas e comodidades para o turista; a do Julião – ou Prainha – de águas calmas e transparentes, acessível por trilhas que partem da avenida, da animada vizinha praia Grande, ou da Feiticeira, “a mais famosa” da ilha e indicada para praticar o mergulho; as vizinhas Perequê e Itaguaçu, com calçadões e seus quiosques e bares, boas para o windsurf e que sediam alguns eventos durante a alta temporada; a do Engenho d’Água, indicada para esportes náuticos e onde fica a Fazenda Engenho, antigo engenho de cana-de-açúcar que é patrimônio da cidade; e as praias Saco da Capela e Santa Tereza, com águas tranquilas onde atracam barcos, veleiros e lanchas, também abrigando o mercado e o píer dos pescadores.

Ao norte, se destacam a tranquila praia do Arrozal, cujo isolamento por algumas casas de veraneio garante uma visita sossegada; a pequena Pedra do Sino – ou Garapocaia – com mar calmo e muitos coqueiros e pedras; a da Armação, talvez a mais popular da região, famosa pelas práticas de kitesurf e windsurf, onde há bares e restaurantes bastante frequentados; e a do Jabaquara, última praia acessível pela estrada – já de terra, nessa altura – e uma das mais bem preservadas, que conta também com dois riachos e uma lagoa de água doce.

Praia Saco da Capela Foto Flavio F Moreira

Praia Saco da Capela
Foto: Flavio FMoreira

Não bastasse a enorme quantidade de praias e atrações deste lado da ilha, ainda nem chegamos àquelas que, para muitos, fazem Ilhabela valer a pena de verdade. Isoladas por não estarem conectadas à estrada principal, muitas praias são hoje procuradas justamente por essa dificuldade de acesso que garantiu uma preservação maior, ainda que algumas abriguem pequenas comunidades de habitantes locais. O caminho por trilhas (com a opção de serem vencidas por jipe) ou pelo mar, já garante boa parte da experiência, e chegar a uma linda praia semi-deserta é quase somente um “grand finale”.

Praia de Santa Tereza Foro: Flavio F Moreira

Praia de Santa Tereza
Foto: Flavio FMoreira

Praias preservadas e lindas

Começo pela praia do Bonete, ao sul, que foi eleita pelo jornal britânico “The Guardian” como uma das dez mais bonitas do Brasil; o seu acesso se dá por uma trilha que dura por volta de cinco horas – e passa por três cachoeiras – ou por barco, muito mais rápido. Dali sai a trilha para a praia de Indaiaúba e suas areias brancas que contrastam com o mar transparente e o verde da natureza ao redor; mais um pequeno paraíso. Já na costa leste, voltada ao Oceano Atlântico, fica a praia de Castelhanos, a maior de todas, que no seu quilômetro e meio de extensão abriga uma comunidade caiçara e é ideal para o surfe, mas o mar agitado recomenda cautela aos banhistas. Em contraste, ao norte, encontramos a pequena praia da Fome, próxima à do Jabaquara, com águas cristalinas que já abrigaram um ponto de tráfico de escravos.

Praia da Fome - Ilhabela Foto: wikimedia

Praia da Fome
Foto: wikimedia

Para dar um tempo às praias, há também as trilhas que levam aos picos mais altos de Ilhabela: o de São Sebastião (1380 metros de altitude) e o do Baepi (1084 metros de altitude). A primeira, além de mais longa, é a mais difícil, e pode durar entre seis e sete horas; a segunda dura por volta de quatro horas para subir e mais duas para descer. Em ambos os casos, o apoio de um guia é imprescindível e as vistas compensam todo e qualquer esforço; a ilha é bela sendo vista tanto de baixo quanto de cima. Outras trilhas saem da praia da Feiticeira para a cachoeira dos Três Pombos e da praia do Jabaquara para a praia do Poço, onde há uma cascata que deságua em uma piscina natural de água doce.

Praia de Castelhanos Foto: wikimedia

Praia de Castelhanos
Foto: wikimedia

Cansou de tanta natureza maravilhosa? Ilhabela também abriga alguns eventos de relevância nacional e até internacional, como a Semana Internacional de Vela – afinal, aqui é a capital da vela, lembra? – o Ilhabela in Jazz, festival gratuito e ao ar livre, e o Festival do Camarão, que neste ano contou com a presença de mais de quarenta restaurantes e atividades gastronômicas e culturais. Toda essa lista enorme de atrações e lugares incríveis justifica o título de estância balneária que a ilha carrega juntamente a outros 14 seletos municípios do estado de São Paulo. E mais um ponto pra Ilhabela!

Praia da Feiticeira Foto: wikimedia

Praia da Feiticeira
Foto: wikimedia

No site da prefeitura você encontra informações úteis, como chegar, horários de ônibus, etc. Clique aqui.

No portal Ilhabela você encontra informações turísticas, hospedagem, gastronomia, calendário de eventos, passeios, etc. Clique aqui.

Praia do Bonete Foto: wikimedia

Praia do Bonete
Foto: wikimedia

Foto destaque: Praia de Jabaquara – Ilhabela – wikimedia


Formado em Arquitetura e Patrimônio Urbano, Flavio tem um interesse especial por cidades e suas histórias. Conhecer e divulgar as atrações e a cultura de um lugar, fazendo com que os seus moradores e visitantes se apropriem, cuidem e desfrutem dele, é um dos seus principais sonhos/objetivos.

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