Surpreenda-se com um passeio cultural e histórico pelo bairro da Luz Agenda Cultural / É Grátis / História e Arte

A região da Luz ainda guarda diversos prédios históricos, arquitetura, legado cultural e parque numa região onde não faz muito tempo, a  elite paulistana frequentava. Por isso, os convido a me acompanhar num passeio por esta região tão rica em história, cultura e arte.

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O parque é cheio de esculturas e um lago Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

PARQUE DA LUZ

Minha primeira parada foi no Parque da Luz. Já tinha visitado umas duas vezes, mas dessa vez seria diferente: resolvi fazer a visita guiada com a galera do Trilhas Urbanas, que realiza passeios guiados em alguns parques municipais. O próximo será no Parque Alfredo Volpi, dia 16/12. Considerando vários aspectos, como: informação socioambientais, cultural, geográfica, histórica, conscientização e pertencimento, o passeio guiado torna-se uma fonte de conhecimento e significado da importância de um espaço público como o Parque da Luz.

Começamos o tour a partir da Casa da Administração, que foi construída em 1899 pelo primeiro administrador do parque, Antonio Etzel, o jardineiro austríaco. No período de sua gestão até os anos 30, o Parque viveu seu apogeu com muitos eventos culturais para toda sociedade burguesa e vizinhança.

Inspirado pela escola inglesa e francesa de jardinagem, o Parque da Luz é plano, geometricamente definido, extensas alamedas, fontes, vegetação natural e algumas que “imitam” a natureza, como a gruta que na verdade é a caixa-d’água.

Durante muito tempo o Parque sofre com estigmas (pessoas consideradas excluídas) e muitos torcem o nariz ou tem medo de passear por ali. É uma pena. Só pode dizer que essa resistência apenas irá poupar-lhes de um belo Parque cheio de histórias que se cruzam com o crescimento da sociedade paulistana, assim como, perder a chance de contato com uma flora (pau-brasil, figueira de bengala da Índia, entre outras) encantadora e, com sorte, avistar o mais famoso morador do local: o bicho-preguiça.

Parque da Luz

O jardim da Luz é um museu a céu aberto Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

Além de praticamente um museu a céu aberto: o Parque possuiu esculturas cedidas por artistas, belas estátuas em mármore branco como Medeia com o bode e, outras oito que espalhadas pelos pontos da Cruz de Malta, que forma o lindíssimo espelho d’água.

Entre outras curiosidades temos: a descoberta de um sítio arqueológico onde tivemos o ponto mais alto da cidade, o Observatório Meteorológico. Descoberto apenas no final dos anos 90 após obras no local. Em 2000, outra descoberta foi um aquário subterrâneo com diferentes espécies de peixes, que surpresa foi na época!

Parque da Luz. Praça da Luz s/n. Terça a domingo, das 9h às 18h. Telefones: (11) 3227-3545  Metrô Luz Outras linhas ligue 156 ou acesse SPTrans.

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PINACOTECA DO ESTADO

Para os íntimos, simplesmente, Pina. Não precisa nem sair do Parque da Luz. À esquerda da saída de frente à estação, um portão interliga à Pinacoteca. Na lateral entre a parede de tijolinhos e o Parque, um café com mesinhas ao ar livre sugere contemplar o jardim do parque com algumas esculturas ou o belo prédio da Estação da Luz.

Estava bem tranquila movimentação nesse sábado de visitas gratuitas. O museu recebe exposições temporárias internacionais como essa e há acervo de artistas de fora, mas o conceito original de uma pinacoteca é preservado com louvor, ou seja, ênfase expressivo e variado do acervo de arte nacional brasileira. São cerca de onze mil obras na instituição: pinturas, escultura, desenhos, gravuras. Nomes como: Almeida Júnior, Benedito Calixto, os modernistas Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari, Lasar Segall fazem parte da coleção e, os emblemáticos bustos de Rodin.

Dividida em três andares, respectivamente, térreo (a cafeteria e auditório), primeiro andar (exposições temporárias e biblioteca) e segundo (mostra do acervo), você poderá transitar com a locação de audioguia, olha que massa! Disponível em três idiomas: português, inglês e espanhol.

Ah, tem a lojinha da Pina, que vende livros de artes lindíssimos e os preços são ótimos!  Bom, além do acervo o prédio é um espetáculo à parte: projetado por Ramos de Azevedo em 1895. Elogiado e aclamado por todo o mundo após sua reforma em 1993 como exemplo de arquitetura moderna e antiga. Foi eleito o melhor museu brasileiros pelos usuários do TripAdvisor este ano. Poderão dar uma conferida no acervo on-line, mas permitam-se a experiência de ver grandes obras pessoalmente.

Duas amigas / Lasar Segall faz parte do acervo da Pinacoteca

Duas amigas / Lasar Segall faz parte do acervo da Pinacoteca

Pinacoteca do Estado de São Paulo. Praça da Luz, 02. De quarta à segunda, das 10h às 17h30. Telefones: (11) 3324-1000 Metrô Luz Outras linhas ligue 156 ou acesse SPTrans. Ingressos: R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (estudante). Grátis aos sábados. Crianças com até 10 anos e idosos maiores de 60 anos não pagam.

Cronologia dos acontecimentos dos tempos da ditadura Foto: Vilma Alcântara

Cronologia dos acontecimentos dos tempos da ditadura
Foto: Vilma Alcântara

ESTAÇÃO PINACOTECA – MEMORIAL DA RESISTÊNCIA

Em agosto de 2007, integra-se à Estação Pinacoteca o Memorial da Resistência de São Paulo. Com o objetivo dedicado à preservação da memória da resistência e repressão sobre aqueles que lutaram pelos seus ideais de justiça e democracia contra a opressão pelo período obscuro da ditadura militar no país.

Mais providencial impossível uma imersão história neste momento de divisão ideológica que passamos, não?

Criado no edifício-sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo (Deops) local para presos políticos, o museu não visa apontar apenas as atrocidades cometidas nesse período da história, mas, sobretudo, ressaltar e valorizar princípios da democracia e solidariedade por meio de ações educativas e culturais.

Dividido em quatro espaços o Memorial nos leva à reflexão sobre direitos humanos e democracia. Começando pela apresentação das diferentes formas que o prédio fora ocupado até os chegar nos dias atuais. Sendo sede do Deops e até Delegacia do Consumidor.

Seguindo para a parte multimídia com foco na memória do controle, repressão e resistência a partir de uma linha do tempo que articula os fatos pontualmente, como: presidentes na época, fatos no mundo e situações pontuais na luta contra a repressão. Explanando historicamente o passo a passo da ditadura militar.

A terceira parte – confesso que, para mim, mais densa – composta pelas quatro celas remanescentes com dizeres nas paredes, cercada pelo corredor para banho de sol, as portas de ferro onde passavam apenas um prato de comida e a luz que nunca se apagava.

Esse espaço sem dúvida é o principal do Memorial. Em cada cela um significado: a primeira cela mostra os trabalhos do processo de criação do Memorial; a segunda presta homenagem aos milhares de presos, desaparecidos e mortos; na terceira uma reconstituição fiel a uma cela, e a última uma leitura de solidariedade aos que estiveram presos ali.

Máscaras refente as vitimas da ditadura Foto: Vilma Alcântara

Máscaras refente as vitimas da ditadura
Foto: Vilma Alcântara

A quarta e última parte, o espaço oferece aprofundarmos no assunto por meio de bancos de dados e referenciais. Uma biblioteca com documentos provenientes e dossiês produzidos pelo Deops/SP e fotografias sobre as dependências do edifício. Memorial da Resistência de São Paulo. Largo General Osório, 66. De quarta à segunda, das 10h às 17h30. Telefones: (11) 3335-4990 Metrô Luz Outras linhas ligue 156 ou acesse SPTrans. Ingressos: Grátis.

Estação da Luz Foto: Wikimedia

Estação da Luz
Foto: Wikimedia

ESTAÇÃO DA LUZ

A estação a Luz é um lugar interessante para admiradores de arquitetura e fotografia – o cenário é muito bonito mesmo que para algumas selfies, como vi acontecendo a cada novo trem que embarcava e desembarcava pessoas.

Inaugurada em 1901, a Estação da Luz foi inspirada no Big Ben e a abadia de Westminster e era palco para recepção de todas as pessoas mais importantes à época: empresários, intelectuais, políticos, diplomatas e reis.

Já em 1946 ocorreu um incêndio e após a reforma, consideram que, junto com a degradação do transporte ferroviário, o local foi igualmente perdendo seu prestígio e daí para a frente sendo considerado uma área degradada.

A estação foi extremamente importante na trajetória do ciclo cafeeiro e da expansão da cidade. Sua torre era referência na cidade, por exemplo, para acertos dos relógios, e sua arquitetura era a paisagem paulista mais admirada e icônica como sendo a “imagem da cidade de São Paulo”.

Sua arquitetura é composta por alvenaria de tijolos aparentes e as plataformas cobertas por estrutura metálicas. Suas plataformas cobertas foram pioneiras na estética funcional para embarques e desembarques. O hall, que é o principal acesso às plataformas, mantêm muita elegância no seu piso, colunas, lustres e janelas.

A Estação da Luz tem como seu “apêndice” o Museu da Língua Portuguesa, que está temporariamente fechado devido o incêndio em dezembro de 2015.

Estação da Luz à noite Foto: wikimedia

Estação da Luz à noite
Foto: wikimedia

Esse foi um sábado na Luz, que poderia ter sido estendido ainda passando pela Sala São Paulo, Museu de Arte Sacra de São Paulo e, se aberto, o Museu da Língua Portuguesa. Mas aí fica para outro dia.

Estação da Luz. Praça da Luz, 01. Todos os dias, das 4h às 24h. Telefones: (11) 0800-55-0121 Metrô Luz Outras linhas ligue 156 ou acesse SPTrans.

Você conhece alguns desses lugares? O que acha? Qual gosta mais? Comente aqui.


Meu nome é Vilma. Sou paulistana e não vivo uma relação de amor e ódio com a cidade: sou uma apaixonada assumida por São Paulo. Formada em Letras (Português e Inglês) pela UNIP, mas sempre trabalhei no meio corporativo. Meu interesse por eventos culturais começou bem cedo. Vizinha do Centro Cultural São Paulo, todos os dias, depois da aula, passava tardes inteiras por ali aproveitando tudo o que podia. Como sou uma pessoa de múltiplos interesses – música, literatura, teatro, cinema, passeios ao ar livre, cultura pop, em geral, e gastar pouco e me divertir muito – logo virei ponto focal entre amigos e colegas de trabalho sobre o que de melhor estava acontecendo na cidade e, aí está uma das outras coisas que adoro: compartilhar conhecimento. Uma outra é criar roteiros: seja de passeios pela cidade, seja para uma viagem de muitos dias. Desejo disseminar o que há acontece na cidade para além dos segundos cadernos.

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