Surpreenda-se com uma visita ao Museu Afro Brasil Agenda Cultural / História e Arte

Acredito que a maioria das pessoas que vive em São Paulo não costuma ir a museus e quando vão  a motivação são as exposições de famosos artistas estrangeiros. É uma pena, porque o nosso acervo brasileiro tem preciosidades de grande valor artístico e histórico. Um exemplo disso é a coleção do Museu Afro Brasil , que fica dentro do Parque do Ibirapuera. Com apenas R$ 6 os visitantes tem acesso a mais de 6 mil obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, documentos e peças etnológicas, de autores brasileiros e estrangeiros, produzidos entre o século XVIII até os dias de hoje.

Exposição Sagrado Profano Foto: Divulgação

Exposição Sagrado Profano
Foto: Divulgação

Nova exposição

A mostra“Espaço Livre” tem obras de sete artistas de origem africana, quatro brasileiros e dois haitianos e começa dia 28 de junho.O intenso fluxo de imagens que atravessa cidades como Londres, Nova Iorque, Tóquio, Paris e São Paulo, ocupando ruas e galerias de arte, criando personagens, estabelecendo-se em monumentais coloridos ou em irônicos tons de engajamento político-social é tema de “Espaço Livre”.

Com treze representantes deste circuito internacional, a exposição, assim como seus integrantes, escapa aos rótulos da chamada intervenção urbana, grafitti, pintura ou instalação, ao contrário, apresenta vivas questões elaboradas pela experiência destes artistas ao percorrer diferentes campos de expressão contemporânea. Francisco Vidal (1978) e Yonamine (1974) são angolanos e ambos já expuseram na Bienal de Veneza. Os conflitos e a violência também são temas de Gerard Quenum (1972), nascido em Porto-Novo no Benin,Também do Benin, participam obras de Cyprien Tokoudagba (1939-2012), um dos mais representativos pintores de divindades vodu em seu país. Celestino Mudaulane (1972), nasceu e reside na capital de Moçambique onde leciona cerâmica na Escola Nacional de Artes Visuais de Maputo. mostra também oferece um olhar sobre a espiritualidade individual, intimista, a partir dos auto-retatos do artista Ganense,Owusu-Ankomah (1956). A efervescência das ruas estreitas da capital Porto Príncipe, a religiosidade vodu e a forte presença de artesões tradicionais alimentam a sensibilidade dos artistas haitianos Eugène André (1959) e Mário Benjamin (1964).Dentre os artistas brasileiros estão os consagrados Alex Hornest (1972), Daniel Melim (1979), Nunca (1990) e Speto (1971). A mostra fica em cartaz até 31 de julho.

Tela de Alex Hornest faz parte da mostra Espaço Livre Foto: Divulgação

Tela de Alex Hornest faz parte da mostra Espaço Livre
Foto: Divulgação

Dentro do museu

Quem passa em frente, não imagina o tamanho do lugar nem a quantidade obras de arte que o museu abriga. Inaugurado em 2004, a partir da coleção particular do Diretor Curador Emanoel Araujo, o Museu Afro-Brasil fica em um pavilhão de 11 mil m2 dividido em três pisos, há exposições permanentes e temporárias que valorizam a influência afro-brasileira em todos os aspectos da construção da identidade brasileira. Atualmente, está divido em 6 núcleos: África: Diversidade e Permanência, Trabalho e Escravidão, As Religiões Afro-Brasileiras, O Sagrado e o Profano, História e Memória e Artes Plásticas: a Mão Afro Brasileira.

Todas as vertentes das artes estão representados no Museu Afro Brasil Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

Todas as vertentes das artes estão representados no Museu Afro Brasil
Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

Cada andar, para mim, foi uma surpresa. O acervo vai muito além das religiões afro-brasileiras. A história, arte, escravidão, música, literatura, personalidades, adereços, móveis, esculturas, instalações estão espalhados nos três andares.  É claro que não podiam faltar obras do artista plástico argentino Carybé e do fotógrafo e etnólogo franco-brasileiro Pierre Verger.

Objetos usados na época da escravidão Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

Objetos usados na época da escravidão
Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

Eu visitei o museu sozinha e até me perdi lá dentro de tão empolgada que fiquei com as obras. Mas vale a pena marcar uma visita guiada e assim ter todo o contexto histórico e cultural do acervo. Durante o tempo que fiquei lá notei poucas pessoas, dentre eles, alguns estrangeiros, que fotografavam as obras maravilhados. Pensei: a maioria dos brasileiros não estima nossa cultura tanto quanto os estrangeiros, o que é uma pena, porque conhecer nossa história e preservar nossa memória é um passo importante para valorizarmos as coisas boas do nosso país e até mesmo combater o preconceito, já que nossa sociedade é uma mistura de todas as raças.

A sala que mais me impressionou foi Navio Negreiro. A ambientação, a sala escura, a música e as vozes ao fundo me emocionaram. Os objetos, poemas de Castro Alves, relatos e um esqueleto de um navio contavam a história dos negros trazidos da África, o sofrimento,  doenças e mortes durante o trajeto.

O espaço Navio Negreiro impressiona Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

O espaço Navio Negreiro impressiona
Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

Biblioteca e teatro

Além do acervo, o museu conta também com a biblioteca Carolina de Jesus especializada em temas como escravidão, tráfico de escravos, abolição da escravatura, da América Latina, Caribe e Estados Unidos. Carolina de Jesus foi uma escritora favelada que ficou famosa ao publicar o livro Quarto de Despejo. Há também o teatro Ruth de Sousa, uma homenagem à grande atriz, que no dia que fui encontrava-se fechado.

A história do Brasil é contada através desta exposição permanente Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

A história do Brasil é contada através desta exposição permanente
Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

Museu Afro Brasil  Av. Pedro Alvares Cabral, s/n – Parque Ibirapuera – próximo ao Portão 10
Tel: (11) 3320-8900 Horário de Funcionamento3ª feira a domingo, das 10h às 17h. R$ 6 e R$ 3 (meia entrada). Grátis aos sábados.  O agendamento deverá ser solicitado sempre pelo e-mail: agendamento@museuafrobrasil.org.br

O acervo do Museu Afro Brasil impressiona pela quantidade e organização Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

O acervo do Museu Afro Brasil impressiona pela quantidade e organização
Foto: Patrícia Ribeiro/Passeios Baratos em SP

 

 

 

 


Meu nome é Patrícia Ribeiro. Sou formada pela Faculdade Cásper Líbero e já trabalhei como editora e repórter em revistas, jornais, sites e em assessoria de imprensa. Adoro contar histórias, sou curiosa e gosto de ouvir as pessoas. Como gosto de viajar, acabei escrevendo muitas reportagens de viagens e turismo e produzi guias de viagem nacionais e internacionais. Adoro a vida cultural da cidade e descobrir lugares novos. Resolvi aliar o que eu gosto do que faço no meu tempo livre neste blog e compartilhar minhas dicas com moradores e visitantes.

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