Novo polo cultural no Arouche
Foto: Denize Bacoccina História e Arte

Nos anos 1970, quando o comerciante de origem libanesa Munir Candalaft comprou a casarão no número 126 da Rua do Arouche, a região ainda era um importante centro comercial, com lojas que lojas que atraiam compradores das regiões nobres de São Paulo e muitos escritórios. Ele tinha uma loja quase em frente, a Casa Miosótis, conhecida loja de lingerie, e alugava salas no casarão para pequenas lojas ou escritórios. A matéria publicada no site A Vida no Centro conta como foi a revitalização do casarão.

Grafites Foto: Denize Bacoccina

Grafite
Foto: Denize Bacoccina

Com o tempo, o casarão foi se tornando menos atraente para os inquilinos e recebendo menos atenção dos proprietários, até que nos últimos anos tinha poucas salas ocupadas. Um retrato do Largo do Arouche, que foi sendo abandonado por clientes, lojistas e Poder Público.

Até que, nos últimos anos, as pessoas começaram a voltar. A praça com as famosas lojas de flores ainda está abandonada pela Prefeitura – que prometeu um plano de revitalização bancado por empresas francesas – mas é a iniciativa privada, com construção de prédios, abertura de cafés, bares e restaurantes, quem vem trazendo vida nova à região.

O novo público animou o Munir Candalaft Junior e o irmão, Fabio, filhos do comerciante, que decidiram reformar o casarão da família e trazer o imóvel à sua antiga glória. “Aproveitando essa onda de recuperação de imóveis quisemos dar a nossa contribuição”, contou Munir Filho ao projeto A Vida no Centro. “Agora é a hora de fazer alguma coisa legal pelo centro.” Dono de uma corretora de seguros, ele não mora no centro, mas passou a frequentá-lo mais nos últimos meses.

Munir Candalaft Junior, que reformou um casarão de 105 anos e criou o espaço cultural No Arouche. Foto: Denize Bacoccina

Munir Candalaft Junior, que reformou um casarão de 105 anos e criou o espaço cultural No Arouche. Foto: Denize Bacoccina

Construído na década de 1910 para ser residência, o imóvel de 450 metros e dois andares ganhou uso comercial nos anos 1940. Agora, totalmente reformado, foi rebatizado de No Arouche, um espaço cultural que pode sediar lojinhas de artes, gastronomia e shows até eventos para empresas.

Na abertura, dia 2 e 3 de setembro havia 20 expositores que montarão lojinhas para vender seus trabalhos de decoração, arte, moda, música, comidinhas e bebidinhas além de shows de música, DJ, live paint e tatoo. A intenção de Munir é fazer o evento uma vez por mês – ou mais, se houver demanda. “Só vamos ter produtos de cunho artístico. Não queremos ser mais uma feirinha”, diz Munir.

Para isso, ele escalou Mariana Bonfanti, da marca Jouer Couture para fazer a curadoria do evento, e escolher as marcas que ganharão espaço no local. O espaço fica no primeiro e segundo andar. O térreo do prédio já é ocupado por uma loja de roupas e um restaurante.

IMG_2271A reforma

Para buscar inspiração, Munir viajou para Nova York no início do ano, para buscar referências. A principal inspiração veio do Meatpacking District, em Nova York, bairro que no século 19 era um vibrante centro de abatedouros e frigoríficos e que entrou em declínio em meados do século passado até ressurgir no fim do século totalmente reconfigurado, como um lugar de bares e restaurantes da moda e lojas descoladas.

É lá que fica a High Line, a linha férrea desativada que foi transformada em parque suspenso e serve de inspiração para os grupos que defendem o fechamento do Minhocão aos carros e sua transformação num parque.

Munir voltou a São Paulo decidido a transformar o casarão num lugar moderno. Moderno na proposta, mantendo a estrutura do um século atrás e sem querer esconder as marcas do tempo. Procurou vários arquitetos até encontrar Gabriel Menezes, que imediatamente entendeu a proposta e projetou paredes decoradas com grafites, portas e janelas pintadas com cores fortes e a recuperação do piso original.

IMG_2260Os grafites foram realizados num sábado de junho. Gabriel, que também é artista, chamou um grupo de amigos pra transformar as paredes gastas pelo tempo em obras de arte que parecem querem saltar para a vida.

O investimento de R$ 200 mil deve se pagar com o tempo. A ideia, diz Munir, é também alugar o espaço para festas de empresas. E ajudar a valorizar a região. A iluminação da casa já chama a atenção de quem passa por ali à noite. “O dono do restaurante de baixo já disse que ia aproveitar a iluminação ficar aberto até mais tarde”, conta orgulhoso.

Neste fim de semana, tudo ganha vida nova. Matéria reproduzida do site A Vida no Centro. Textos e fotos Denize Bacoccina

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Meu nome é Patrícia Ribeiro. Sou formada pela Faculdade Cásper Líbero e já trabalhei como editora e repórter em revistas, jornais, sites e em assessoria de imprensa. Adoro contar histórias, sou curiosa e gosto de ouvir as pessoas. Como gosto de viajar, acabei escrevendo muitas reportagens de viagens e turismo e produzi guias de viagem nacionais e internacionais. Adoro a vida cultural da cidade e descobrir lugares novos. Resolvi aliar o que eu gosto do que faço no meu tempo livre neste blog e compartilhar minhas dicas com moradores e visitantes.

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